Como os bebês e as crianças pequenas aprendem?
Bebês e crianças pequenas aprendem o tempo todo. Aprendem quando observam outras pessoas, imitam gestos, brincam, exploram objetos, movimentam o corpo, repetem ações, escutam palavras e participam dos momentos da rotina.
Isso significa que a aprendizagem não acontece somente quando a professora organiza uma atividade. Ela também está presente durante a alimentação, a troca, o parque, as conversas, as interações entre as crianças e as tentativas de realizar algo sozinhas.
Para planejar boas experiências, primeiro precisamos compreender como essa aprendizagem acontece.
Os bebês aprendem desde o nascimento.
Desde que nascem, os bebês procuram compreender o mundo ao seu redor. Eles observam rostos, reconhecem vozes, reagem aos sons, movimentam o corpo e expressam necessidades, interesses e desconfortos.
Mesmo antes de falar, comunicam-se por meio do olhar, do choro, dos movimentos, das expressões faciais, dos balbucios e dos gestos.
Quando o bebê olha para a professora, emite um som e recebe uma resposta, começa a perceber que sua comunicação alcança outra pessoa. Quando movimenta um objeto e escuta um barulho, descobre que sua ação pode produzir um efeito.
Essas experiências parecem simples, mas envolvem aprendizagens importantes.
Aprendem por meio das relações.
O desenvolvimento acontece nas relações que o bebê e a criança estabelecem com outras pessoas.
Quando encontram adultos disponíveis, que acolhem suas necessidades, conversam, respondem aos seus sinais e respeitam seu tempo, sentem-se mais seguras para explorar o ambiente.
A afetividade não está separada da aprendizagem. Um bebê que se sente acolhido pode concentrar sua atenção, experimentar movimentos, aproximar-se das pessoas e demonstrar curiosidade pelo que está ao seu redor.
Durante a troca de fralda, por exemplo, a professora pode olhar para o bebê, avisar o que fará, nomear partes do corpo e esperar suas respostas. Esse momento envolve cuidado, comunicação, vínculo e participação.
Aprendem observando.
A observação é uma das maneiras pelas quais as crianças recolhem informações sobre o mundo.
Elas observam expressões, gestos, movimentos, objetos e as ações das outras pessoas. Mesmo quando parecem estar apenas olhando, podem estar prestando atenção ao que acontece e tentando compreender como algo funciona.
Uma criança pode observar várias vezes um colega encaixar uma peça antes de tentar fazer o mesmo. Um bebê pode acompanhar atentamente o movimento das mãos da professora durante uma música e, depois de algum tempo, começar a reproduzir um gesto.
Por isso, observar também é uma forma de participar e aprender.
A professora não precisa apressar a criança ou exigir que ela repita imediatamente o que viu. É importante oferecer tempo para que cada uma observe, elabore e decida quando deseja experimentar.
Aprendem imitando.
Ao imitar, a criança experimenta gestos, sons, movimentos e ações que observou nas outras pessoas.
Pode bater palmas depois de ver a professora, tentar pentear o cabelo de uma boneca, mexer uma colher dentro de uma panela ou fingir que está falando ao telefone.
A imitação não é uma simples cópia. A criança seleciona o que chamou sua atenção, relaciona a ação com experiências que já viveu e a reproduz do seu próprio modo.
Quando imita uma situação cotidiana durante a brincadeira, ela também começa a compreender os usos dos objetos, os comportamentos das pessoas e os papéis presentes nas relações sociais.
Aprendem brincando.
Brincar é uma das principais formas de aprendizagem na infância.
Durante a brincadeira, bebês e crianças exploram possibilidades, fazem escolhas, comunicam ideias, enfrentam pequenos desafios e criam relações entre aquilo que já conhecem e o que estão descobrindo.
Ao empilhar blocos, por exemplo, a criança experimenta equilíbrio, tamanho, posição e quantidade. Quando a torre cai, observa o resultado e pode tentar novamente, modificando sua estratégia.
Ao brincar de alimentar uma boneca, recupera experiências que viveu, representa situações do cotidiano e atribui novos significados a elas.
A brincadeira não precisa produzir um objeto ou apresentar um resultado igual para todas as crianças. Seu valor está nas ações, nas descobertas, nas interações e nas estratégias construídas durante o processo.
Aprendem explorando com os sentidos.
Nos primeiros anos, a criança conhece o mundo principalmente por meio do corpo e dos sentidos.
Ela precisa tocar, olhar, ouvir, cheirar, apertar, sacudir, empurrar, puxar e manipular objetos seguros. Em determinadas fases, também utiliza a boca como forma de exploração.
Ao tocar diferentes superfícies, percebe texturas. Ao sacudir um objeto, descobre sons. Ao apertar um material, observa suas transformações. Ao deixar um brinquedo cair, acompanha seu percurso e escuta o barulho produzido.
Essas ações ajudam a criança a conhecer as características dos objetos e a estabelecer relações de causa e efeito.
Por isso, os materiais oferecidos precisam ser seguros, variados e adequados à faixa etária, permitindo diferentes maneiras de exploração.
Aprendem com o corpo e o movimento.
Para os bebês e as crianças pequenas, corpo, pensamento e emoção não estão separados.
Rolar, alcançar, sentar, engatinhar, caminhar, correr, subir, carregar e equilibrar-se são ações que ajudam a conhecer o próprio corpo e a compreender o espaço.
Quando um bebê tenta alcançar um brinquedo, precisa coordenar o olhar, o movimento e a intenção. Quando uma criança transporta objetos de um lugar para outro, experimenta peso, distância, força e organização.
O movimento não deve ser visto apenas como uma maneira de gastar energia. Ele é parte essencial da aprendizagem e do desenvolvimento.
A professora pode favorecer essas descobertas organizando espaços seguros, com oportunidades para que as crianças se movimentem, façam escolhas e enfrentem desafios possíveis.
Aprendem repetindo.
É comum que bebês e crianças queiram realizar a mesma ação muitas vezes.
Podem pedir a mesma música, olhar o mesmo livro, encher e esvaziar um recipiente ou deixar um objeto cair repetidamente.
Para o adulto, a ação pode parecer sempre igual. Para a criança, cada repetição permite observar novamente, testar uma possibilidade, aperfeiçoar um movimento e confirmar uma descoberta.
Quando joga um objeto no chão, por exemplo, o bebê pode estar observando a queda, o som, a distância e a reação das pessoas ao seu redor.
Repetir não significa que a criança não compreendeu. Muitas vezes, é justamente por meio da repetição que ela consolida uma aprendizagem e começa a criar novas variações.
Aprendem enfrentando pequenos desafios.
As crianças também aprendem quando encontram algo que ainda não conseguem fazer completamente, mas podem tentar com tempo e apoio.
Encaixar uma tampa, alcançar um objeto, subir um pequeno degrau, abrir uma embalagem ou colocar o próprio sapato são situações que mobilizam atenção, persistência e elaboração de estratégias.
Quando o adulto realiza tudo pela criança, pode retirar dela a possibilidade de experimentar. Por outro lado, deixá-la sozinha diante de um desafio muito difícil pode provocar frustração e insegurança.
O papel da professora é observar, garantir segurança e oferecer somente a ajuda necessária.
Em vez de encaixar a peça pela criança, por exemplo, pode aproximar o objeto, demonstrar interesse pela tentativa ou fazer uma pergunta simples:
“Será que existe outro jeito de colocar?”
Assim, a criança continua sendo autora da própria ação.
Aprendem por meio da linguagem.
Muito antes de pronunciar as primeiras palavras, o bebê já participa de situações de comunicação.
Ele escuta vozes, observa expressões, responde com movimentos, balbucios e olhares e, gradativamente, começa a compreender palavras e intenções.
Conversar com as crianças, cantar, contar histórias, nomear objetos e explicar o que está acontecendo amplia suas possibilidades de comunicação e compreensão.
Isso não significa falar o tempo todo ou transformar cada momento em uma aula. É preciso também fazer pausas, observar as respostas e permitir que a criança participe do diálogo com seus próprios recursos.
Quando o bebê balbucia e a professora responde, os dois constroem uma conversa. Quando a criança aponta para algo e o adulto acolhe seu gesto, ela percebe que sua forma de comunicação foi compreendida.
Aprendem participando da rotina.
Alimentação, higiene, descanso, chegada e saída não são intervalos entre as experiências pedagógicas. Esses momentos também fazem parte da aprendizagem.
Ao participar da lavagem das mãos, a criança reconhece uma sequência de ações. Ao tentar segurar a colher, desenvolve coordenação e autonomia. Ao guardar um objeto, começa a compreender a organização do espaço e a participar da vida coletiva.
Para que isso aconteça, a rotina não pode ser realizada apenas sobre a criança. Sempre que possível, ela precisa ser convidada a participar.
A professora pode avisar o que acontecerá, oferecer pequenas escolhas, esperar uma tentativa e reconhecer os gestos de colaboração.
O que tudo isso muda no planejamento?
Compreender como bebês e crianças pequenas aprendem muda a maneira de planejar.
Em vez de pensar somente no que a professora fará, precisamos considerar o que as crianças poderão fazer durante a experiência.
Antes de apresentar uma proposta, pergunte:
- As crianças poderão observar?
- Haverá espaço para explorar e fazer escolhas?
- Elas poderão movimentar o corpo?
- Terão tempo para repetir ações?
- Poderão interagir e brincar?
- Os materiais permitem diferentes possibilidades de uso?
- O desafio é possível para esse grupo?
- A professora conseguirá observar as estratégias e descobertas das crianças?
Uma proposta pode ser bonita e organizada, mas oferecer poucas oportunidades de aprendizagem quando exige que todas as crianças façam a mesma coisa, do mesmo modo e no mesmo tempo.
Planejar para bebês e crianças pequenas significa criar condições para que participem, explorem, tentem, descubram e atribuam sentidos às experiências.
Qual é o papel da professora?
A professora não precisa controlar todas as ações nem apresentar respostas para cada descoberta.
Seu papel é conhecer as crianças, organizar ambientes seguros e interessantes, selecionar materiais, oferecer tempo, observar as ações e realizar intervenções que ampliem as experiências.
Na prática, isso significa:
- Observar o que as crianças já fazem;
- Reconhecer seus interesses e tentativas;
- Acolher diferentes formas de comunicação;
- Oferecer materiais adequados;
- Permitir escolhas;
- Evitar fazer imediatamente pela criança;
- Intervir sem interromper a exploração;
- Registrar descobertas e estratégias;
- Utilizar o que observou para planejar novas experiências.
Para guardar
Bebês e crianças pequenas aprendem nas relações e nas experiências cotidianas.
Aprendem quando:
- observam;
- imitam;
- brincam;
- exploram;
- movimentam o corpo;
- repetem ações;
- comunicam-se;
- enfrentam pequenos desafios;
- participam dos momentos da rotina.
Por isso, uma boa proposta não é aquela em que a professora faz mais. É aquela que oferece condições para que a criança participe, experimente e descubra.
Antes de preparar a próxima experiência, faça uma pergunta simples:
O que os bebês e as crianças poderão fazer, descobrir e comunicar nesta proposta?
Essa pergunta ajuda a transformar uma atividade conduzida pelo adulto em uma verdadeira experiência de aprendizagem.
Quando compreendemos como as crianças aprendem, o próximo passo é observar quem são aquelas que estão diante de nós: o que já fazem, o que desperta sua curiosidade, como se comunicam e quais desafios estão começando a enfrentar. Nesse caminho, vale aprofundar como a construção de vínculos sustenta a aprendizagem e o que observar no desenvolvimento em cada faixa etária.
Continue a leitura: Como conhecer melhor as crianças para planejar experiências adequadas?
Referências
NEEDHAM, Amy Work. How babies use their hands to learn about objects: Exploration, reach-to-grasp, manipulation, and tool use. WIREs Cognitive Science, 2023. DOI: 10.1002/wcs.1661.
MOHAMMED, Aregash Hassen et al. Play-Based Learning in Early Childhood Education: A Scoping Review. Early Childhood Education Journal, v. 54, p. 3929–3975, 2026. DOI: 10.1007/s10643-026-02127-6.
Documentos orientadores
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: Base Nacional Comum Curricular.
